O que prever nos projetos para a instalação de Plataforma Vertical de Acessibilidade?

 

Muitas obras descobrem tarde demais que “esqueceram do elevador”. Quando a acessibilidade vertical entra só no fim, o resultado costuma ser quebra-quebra, adaptação improvisada e desperdício de dinheiro. A boa notícia é que dá para evitar tudo isso com uma decisão simples na fase de projeto: deixar a “espera” pronta, ou seja, reservar o espaço e a infraestrutura para que a futura Plataforma Vertical de Acessibilidade seja instalada depois, com o mínimo de obra e sem surpresas.

Este guia reúne, de forma prática, o que os projetos arquitetônico, estrutural e elétrico devem prever, e quais documentos o cliente deve pedir ao fabricante e entregar aos projetistas.

O conteúdo se apoia na ABNT NBR ISO 9386-1 (plataformas de elevação vertical), na ABNT NBR 9050 (acessibilidade) e na ABNT NBR 5410 (instalações elétricas de baixa tensão).

Uma observação vale para o guia inteiro: as medidas finais da caixa e da torre, o rebaixo exato, a potência do motor e o dimensionamento elétrico dependem do modelo e do fabricante escolhidos, e só se fecham quando o equipamento é definido. Por isso, a melhor prática é trabalhar com as faixas típicas apresentadas aqui na fase de espera e, imediatamente seja possível, obter do fabricante o projeto de adequação do local (planta baixa, corte e diagrama elétrico) para “amarrar” a espera com os números reais.

Projeto arquitetônico🏛️

O ponto de partida é o tamanho da plataforma, que irá determinar as dimensões de espaço, vãos e manobra.

Dimensões do equipamento

Em termos de largura x profundidade, para 1 usuário em cadeira de rodas, a área útil típica é de 0,90 m x 1,40 m quando o embarque e o desembarque acontecem pela mesma face, e de 1,10 m x 1,40 m quando os acessos são por faces adjacentes (entra por um lado, sai por outro). Essas medidas conversam com o Módulo de Referência da NBR 9050, de 0,80 m x 1,20 m, que é o espaço ocupado pela própria cadeira.

O vão bruto da caixa de corrida (o que a obra precisa reservar) é sempre maior que a plataforma, porque inclui a torre, as guias e o fechamento. Como esse acréscimo varia conforme o fabricante, a recomendação para a fase de espera é reservar o espaço pela planta do fabricante quando ela já existir e evitar construir antes de fechar essa medida com o fabricante (sob o risco de perder espaço vazio ou pior, não deixar espaço suficiente para a plataforma de acessibilidade vertical).

Referente a medida da altura, é preciso garantir o sobrepercurso, que é a folga acima da cabine quando ela está no pavimento superior. Em percurso enclausurado, o fechamento contínuo da cabine tem altura mínima de 2,00 m, e a folga de topo acima disso varia conforme o modelo, devendo ser confirmada na planta e no corte do fabricante. Em percurso aberto, o fechamento lateral contínuo é de 1,10 m.

No piso do pavimento inferior existem duas soluções, e o projeto deve escolher e registrar uma delas.

  • A primeira é o rebaixo (poço raso), tipicamente entre 15 cm e 25 cm, que permite o embarque nivelado.
  • A segunda é a instalação sem poço, com a plataforma assentada sobre o piso acabado e o acesso feito por uma rampa; quando essa opção for adotada, a rampa deve seguir a NBR 9050 (inclinação máxima, patamares e, quando aplicável, guarda-corpo e corrimão).

Em qualquer das soluções, o desnível máximo admitido entre a plataforma nivelada e o piso do pavimento é de 1,5 cm, lembrando que desníveis acima de 5 mm devem ser chanfrados ou tratados conforme a NBR 9050.

Vistoria Projeto Espera de infraestrutura para Plataforma Vertical
Vistoria Projeto Espera de infraestrutura para Plataforma Vertical

Espaço livre para portas

As portas ou portinholas de cada pavimento precisam ter posição e vão livre definidos em projeto, alinhados ao embarque da cadeira, e o vão de passagem deve respeitar a NBR 9050 (mínimo 0,80 m). É nesse momento que se decide se o embarque e o desembarque são pela mesma face ou por faces adjacentes, porque essa escolha muda tanto o tamanho do vão quanto a posição das portinholas.

Por fim, um detalhe que a NBR 9050 exige e que costuma ser esquecido: a área de aproximação e manobra do cadeirante, que deve existir em frente às portas dos dois pavimentos. Dessa forma, temos:

  • Referência mínima de 0,80 m x 1,20 m;
  • Manobra de 90 graus pede 1,20 m x1,20 m;
  • Manobra de 180 graus pede 1,50 m x 1,20 m;
  • Manobra de 360 graus pede um círculo de 1,50 m de diâmetro.

Vale deixar registrada em planta a reserva de espaço (a “área de luz” ou shaft) para a futura caixa e torre, incluindo uma folga lateral da ordem de 0,60 m para o painel de operação. Além do espaço em frente às portas, o projeto deve garantir uma rota acessível contínua ligando a plataforma à circulação e à entrada, com largura mínima de 1,20 m, sem degraus e com inclinações dentro dos limites da NBR 9050.

Vale prever, ainda, a sinalização tátil de alerta na aproximação da plataforma e a identificação dos pavimentos, além de deixar reservados o local e a altura das botoeiras (que, no equipamento normatizado, trazem informação tátil e em Braille).

Projeto estrutural🧱

A plataforma Vertical de Acessibilidade não é como um carro, que se encaixa em uma garagem com diferentes dimensões. A Plataforma Vertical de Acessibilidade precisa de um local bem dimensionado em termos de base, cargas e reforços para que possa se integrar a edificação de forma adequada.

Preparação para carga da torre

A torre da plataforma vertical da IESAB é autoportante na maioria dos modelos, mas transfere ao piso uma carga concentrada. Por isso, o projeto estrutural deve prever uma base ou laje de concreto nivelada no pavimento inferior (ou uma viga/bloco de concreto), com os pontos de chumbamento e ancoragem da torre já reservados.

Para o dimensionamento dessa base, é preciso trabalhar com as cargas estáticas e dinâmicas do equipamento.

Como referência de ordem de grandeza dos modelos IESAB, a carga transmitida fica em torno de:

  • 300 kgf para percursos de até 2 m
  • 500 kgf para percursos de até 4 m

Somando o peso próprio do conjunto, a carga útil e os esforços dinâmicos. A carga distribuída sobre a plataforma é da ordem de 210 kg/m², conforme o modelo.

Esses valores servem de balizamento; os números exatos de reação de apoio e esforços dinâmicos variam conforme o modelo e devem ser confirmados na memória de cálculo e na ART do fabricante.

Preparação para ancoragem das portas

Um reforço frequentemente esquecido é o dos vãos das portas ou portinholas. As portas e batentes dos dois pavimentos recebem esforços de operação e de travamento, então o projeto deve prever elementos de fixação embutidos ou reforço na alvenaria/estrutura nesses vãos, tanto no pavimento inferior quanto no superior.

Quando a solução adotada for com rebaixo, o fundo do poço (aqueles 15 cm a 25 cm) deve ser executado em laje ou contrapiso de concreto, nivelado, estanque e capaz de receber a base da torre.

E, como a torre é vertical e o desnível de parada admitido é de apenas 1,5 cm, a base e as paredes de fixação da guia precisam estar niveladas e no prumo, dentro da tolerância exigida pelo fabricante.

Projeto elétrico ⚡

A regra de ouro do projeto elétrico é a proteção dedicada. A plataforma vertical deve ter um circuito exclusivo, não compartilhado com outras cargas da edificação.

A tensão usual dos modelos da IESAB é 220 V (bifásico ou trifásico, conforme o modelo). A potência do motor, para plataformas de 1 cadeirante, costuma ficar na faixa de 0,75 kW a 1,5 kW (aproximadamente 1 a 2 CV), mas não há valor normativo fechado, então esse número varia muito para outros fabricantes.

Toda a instalação deve estar em conformidade a ABNT NBR 5410. Isso significa prever um quadro de distribuição ou disjuntor dedicado ao equipamento, com:

  • Disjuntor dimensionado à corrente do motor
  • Dispositivo diferencial-residual (DR)
  • Aterramento

O valor do disjuntor em ampères e a bitola dos condutores dependem da potência do motor e serão definidos pelo diagrama unifilar do fabricante.

Na fase de espera, a infraestrutura física a deixar pronta inclui o eletroduto entre o quadro de distribuição (QD) e o local do equipamento, além do eletroduto entre o painel de operação e a base da plataforma, seguindo o traçado que o fabricante indicar. É muito importante ter o apoio de uma empresa qualificada para evitar remendos e fiação sobreposta posteriormente.

Deixe também previsto o ponto de força no local (com caixa de passagem, eletroduto e condutor até o ponto) e um ponto de iluminação, importante para a operação e a manutenção seguras.

Há ainda um item que costuma passar despercebido e faz muita diferença na prática: o sistema de descida e resgate de emergência em falta de energia. A norma exige um meio de descida de emergência quando falta energia (em geral, a descida manual).

O resgate automático por nobreak (bateria) pode ser item de série ou opcional, conforme o equipamento. Na espera elétrica, caso o modelo escolhido use nobreak, vale reservar o ponto e o alojamento para ele e suas baterias.

Os demais itens elétricos de segurança exigidos pela norma são internos ao equipamento (limitador de velocidade, freio de segurança, sensor antiesmagamento, botoeira de emergência, comunicação/interfone, travamento de porta, materiais antichama e piso antiderrapante) já vêm no equipamento, mas é bom o projetista elétrico saber da existência deles.

Quais documentos e especificações📄

De nada adianta reservar espaço se os três projetistas trabalharem com informações diferentes. A espera só fica confiável quando o cliente centraliza, a partir do fabricante, um pacote único de informações e o repassa aos projetistas arquitetônico, estrutural e elétrico.

O cliente deve solicitar ao fabricante o Desenho de Adequação do Local (DAL) emitido pelo fabricante (na IESAB, por exemplo, cada instalação recebe um Desenho de Adequação de Local específico para aquele local).

Projeto Espera de infraestrutura para Plataforma Vertical
Projeto Espera de infraestrutura para Plataforma Vertical

Esse desenho deve incluir:

  • Diagrama elétrico ou unifilar, contendo tensão, fase, potência do motor em kW, disjuntor em ampères, DR, bitola dos condutores, aterramento, traçado dos eletrodutos e a posição do ponto de força e do painel de operação.
  • Apresentação das cargas do equipamento (peso próprio, carga útil e reações de apoio estáticas e dinâmicas), para o cálculo da base e dos reforços.
  • A especificação técnica ou ficha do modelo (capacidade, percurso, velocidade, acionamento por fuso ou hidráulico e itens de segurança).

Em geral, esses documentos acompanham a declaração de conformidade com a NBR ISO 9386-1 e a NBR 9050.

E, por fim, as ARTs pertinentes. Conforme o tipo de compra com a empresa de elevador, você poderá receber:

  • ART de projeto de adequação arquitetônica
  • ART de projeto civil
  • ART de projeto elétrico
  • ART de fabricação e instalação do equipamento

A ART de fabricação e instalação do equipamento é a única ART que não é opcional de contratar com a empresa de elevadores, as outras podem ser contratadas com outras empresas ou projetistas.

Checklist

A IESAB entrega aos seus clientes, junto com o Desenho de Adequação do Local, um Checklist técnico que apoia a verificação de que o local está 100% adequado para receber o equipamento.

Você pode conhecer um pouco mais desse checklist clicando aqui.

Um alerta que evita retrabalho ⚠️

Um alerta que vale ouro, lembre-se que cada fabricante entrega equipamentos com diferentes dimensões, cargas e requisitos próprios, então a orientação de uma empresa costuma valer apenas para os equipamentos daquela empresa.

Projetar a espera com base em números genéricos ou de outro fornecedor é receita para retrabalho. Por isso, quanto antes você definir o equipamento e o fabricante, mais cedo terá em mãos os números reais (planta, corte, diagrama e cargas) e menor será o risco de perder dinheiro.

Ao contratar a plataforma com a IESAB, você recebe apoio e assessoria completa para adequar o local, com o Desenho de Adequação de Local (DAL) feito sob medida para o seu equipamento.

Conclusão ✅

Deixar o local para a instalação de uma Plataforma Vertical de Acessibilidade pronto no projeto custa quase nada e economiza muito: evita quebra-quebra, prepara a obra para atender à NBR ISO 9386-1, à NBR 9050 e à NBR 5410 quando o equipamento for instalado, e permite colocá-lo no momento certo, sem reformar o que já foi construído.

O caminho é simples, reserve o espaço e as cargas no arquitetônico e no estrutural, deixe o circuito exclusivo e os eletrodutos da parte elétrica, e centralize com o fabricante o pacote de plantas, diagrama e cargas que orienta os três projetos (arquitetônico, civil e elétrico).

Se você está projetando agora e pretende instalar a plataforma no futuro, a IESAB pode emitir o Desenho de Adequação de Local (DAL) do seu projeto e orientar a sua equipe sobre a espera ideal, com base no equipamento mais adequado ao seu caso. Fale com a nossa equipe de Engenharia de Aplicação e deixe a sua obra pronta para a acessibilidade que virá.


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